Políticas educacionais de acesso e permanência: um estudo sobre a vivência de mulheres transexuais e travestis no Ensino Superior de Sorocaba/SP
DOI:
https://doi.org/10.29327/2410051.8.23-65Palavras-chave:
Acesso e permanência, Educação superior, Mulheres transexuais, Políticas públicas, TravestisResumo
No Brasil, pessoas trans e travestis enfrentam um cenário violento em diversos segmentos e espaços sociais, incluindo o ambiente universitário, dificultando a presença delas em Instituições de Ensino Superior (IES). Nesse contexto, o presente artigo tem como objetivo geral analisar a importância de políticas públicas voltadas ao acesso e à permanência de mulheres transexuais e travestis no ensino superior, com delimitação na cidade de Sorocaba/SP. Para isso, a pesquisa dispôs, metodologicamente, de uma entrevista semiestruturada com seis mulheres transexuais ou travestis que fizeram graduação em alguma IES de Sorocaba/SP. O roteiro das entrevistas contém questões sobre a vivência das mulheres transexuais e travestis no ensino superior, bem como sobre a utilização de políticas para ingresso e permanência na universidade, conhecimento sobre política pública educacional voltada para transexuais e conhecimento de seus direitos como cidadãs. Após as entrevistas, foi feita a análise de conteúdo, para melhor compreensão dos resultados obtidos. A pesquisa revelou que, entre as seis mulheres transexuais e travestis entrevistadas, quatro recorreram a políticas afirmativas para ingressar ou permanecer no Ensino Superior. No entanto, como essas políticas se voltam para segmentos como pretos, pardos e indígenas (PPI), deficientes, oriundos de escolas públicas e estudantes de baixa renda, evidencia-se a necessidade de ações específicas para mulheres transexuais e travestis, bem como para outras identidades que compõem a população trans, como pessoas transmasculinas e não-binárias, que vivenciam um histórico de marginalização, com impactos diretos nas suas condições de escolarização, trabalho e renda.
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