A arte sapatão no Brasil: fios e desvios

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29327/2410051.8.23-59


Palavras-chave:

Arte sapatão, Escrita lésbica, Poesia LGBTQIA+

Resumo

Do apagamento de identidades, passando por livros censurados e a negação de espaços no mundo das artes plásticas até as instalações visuais urbanas vibrantes e performances nas ruas, foi muito chão, ou melhor, muita estrada. Observa-se, nesse momento, a urgência em pesquisar e catalogar as práticas atuais e as atualizadas das artes lésbicas, como as performances poéticas dissidentes, o novo carnaval de rua, as artes visuais urbanas e todas as potências ainda nascentes, para visibilizá-las também no ambiente acadêmico e para que não sejam esquecidas. Esse artigo pretende traçar um panorama da produção artístico-cultural das artistas sapatonas brasileiras nas últimas três décadas, tendo como foco a literatura, as artes visuais e sua participação no carnaval de rua. Trata-se especificamente de um recorte do trabalho de artistas que apresentem, em suas obras, temáticas lésbicas, caminhoneiras e sapatônicas. A arte sapatão, ampliada, coletiva e fortalecida pelas experiências e trocas entre suas protagonistas, desenha hoje seu próprio caminho e escreve seu destino, colocando seu nome onde quer que deseje estar. A explosão das artes de rua nas últimas décadas vem apenas confirmar essa história e enriquecer o cenário artístico sapatão que segue abrindo estradas e viajando no sonho de um mundo mais justo, sensível e inclusivo.

Biografia do Autor

  • Adriana Galuppo, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG

    Doutoranda em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Minas Gerais. Desde 2010 pesquisa a movimentação artística de pessoas e coletivos dissidentes de gênero e sexualidade no espaço público brasileiro como fotógrafa e, a partir de 2017, como pesquisadora acadêmica. 

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Publicado

12-03-2026

Edição

Seção

Dossiê Temático: Teorias Sapatonas

Como Citar

A arte sapatão no Brasil: fios e desvios. (2026). Revista Brasileira De Estudos Da Homocultura, 8(23). https://doi.org/10.29327/2410051.8.23-59