Lésbicas até no fim do mundo: uma proposta para a composição de novos imaginários

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29327/2410051.8.23-57


Palavras-chave:

Dispositivo, Dysphoria mundi, Escrita criativa, Fracasso, Literatura

Resumo

O presente artigo visa discutir as complexidades que atravessam as escolhas composicionais de textos literários considerando perspectivas da dissidência de gênero, da decolonialidade e da ecologia. A partir das ideias de dysphoria mundi, de Preciado (2023), fracasso queer, de Halberstam (2024), pensamento straight, de Wittig (2022) e as cripstemologias, de Greiner (2023), procura-se mostrar como escolhas narrativas e composição de personagens gênero dissidentes, racializadas e ou doentes, colaboram na composição de imaginários de mundos possíveis e de fins de mundo possíveis e na quebra de expectativas normativas. Essas imagens produzidas nas narrativas servem de repertório e de dispositivo não apenas para lidar com o presente, seja no campo teórico ou da crítica, seja no campo lúdico, em que a pessoa leitora frui das descobertas na leitura, mas também cria possibilidades de novas imaginações, potencialmente alargando o espaço de existência de pessoas oprimidas pelas normas sociais e pelos discursos normativos. As narrativas ficcionais que exemplifica os casos são A extinção das abelhas (2021) e Amora (2015).

Biografia do Autor

  • Natalia Borges Polesso, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUC-RS

    Professora da Escola de Humanidades da PUCRS, nas áreas de Letras e Escrita Criativa, na graduação e no Programa de Pós-Graduação em Letras. Doutora em Letras, área de concentração Teoria da Literatura, pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da PUCRS (2017), com período de doutorado-sanduíche na Sorbonne Université (2015). Mestre em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras, Cultura e Regionalidade na UCS (2011). Possui graduação em Letras Licenciatura Plena em português, inglês e respectivas literaturas, pela UCS (2007). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura e Ensino de Língua Inglesa. É autora, dentre outras produções, dos livros Recortes para álbum de fotografia sem gente (2013), vencedor do prêmio Açorianos de Literatura (2013); Amora (2015), vencedor dos prêmios AGES - livro do ano (2016), Açorianos de Literatura (2016), Prêmio Jabuti, nas categorias Contos e Escolha do Leitor; Controle (2019), vencedor dos Prêmio Minuano e Vivita Cartier e finalista do Prêmio São Paulo da Literatura; Corpos Secos (2020), Prêmio Jabuti na categoria Romance de Entretenimento; e A extinção das abelhas (2021), Prêmio Minuano de Literatura, finalista do Prêmio São Paulo e do Prêmio Jabuti. Em 2017, Natalia foi selecionada para a coletânea Bogotá39, que reúne os 39 escritores mais promissores da América Latina com menos de 40 anos. Foi pesquisadora de pós-doutorado com bolsa CAPES (PNPD), na Universidade de Caxias do Sul, com o projeto de pesquisa Geografias homoafetivas: literatura, gênero e leitura, de 2017 a 2021 e de pós-doutorado (PDJ) na PUCRS, com o projeto Atlas do Antropoceno, de 2023 a 2025. 

Referências

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Publicado

12-03-2026

Edição

Seção

Dossiê Temático: Teorias Sapatonas

Como Citar

Lésbicas até no fim do mundo: uma proposta para a composição de novos imaginários. (2026). Revista Brasileira De Estudos Da Homocultura, 8(23). https://doi.org/10.29327/2410051.8.23-57