Lésbicas até no fim do mundo: uma proposta para a composição de novos imaginários
DOI:
https://doi.org/10.29327/2410051.8.23-57Palavras-chave:
Dispositivo, Dysphoria mundi, Escrita criativa, Fracasso, LiteraturaResumo
O presente artigo visa discutir as complexidades que atravessam as escolhas composicionais de textos literários considerando perspectivas da dissidência de gênero, da decolonialidade e da ecologia. A partir das ideias de dysphoria mundi, de Preciado (2023), fracasso queer, de Halberstam (2024), pensamento straight, de Wittig (2022) e as cripstemologias, de Greiner (2023), procura-se mostrar como escolhas narrativas e composição de personagens gênero dissidentes, racializadas e ou doentes, colaboram na composição de imaginários de mundos possíveis e de fins de mundo possíveis e na quebra de expectativas normativas. Essas imagens produzidas nas narrativas servem de repertório e de dispositivo não apenas para lidar com o presente, seja no campo teórico ou da crítica, seja no campo lúdico, em que a pessoa leitora frui das descobertas na leitura, mas também cria possibilidades de novas imaginações, potencialmente alargando o espaço de existência de pessoas oprimidas pelas normas sociais e pelos discursos normativos. As narrativas ficcionais que exemplifica os casos são A extinção das abelhas (2021) e Amora (2015).
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