Prófugas e fugitivas do humano: tramas tortilleras, queer e animais
Lesbian, Queer, and Animal Entanglements
DOI:
https://doi.org/10.29327/2410051.8.23-51Palavras-chave:
Animalidade, Teoria queer, Teorias tortilleras, VeganismosResumo
O artigo explora as interseções entre a teoria queer, as teorias tortilleras e os estudos críticos animais para problematizar a categoria de “o humano” como um dispositivo hierárquico e opressivo. Em primeiro lugar, a partir dos estudos críticos animais, analisa-se como a dicotomia humano–animal constitui um dispositivo que condensa múltiplas operações de exclusão da modernidade. Em diálogo com Myra Hird e Carla Freccero, sustenta-se que a animalização opera como um mecanismo histórico de subordinação das existências queer, situando-as de modo paradoxal tanto do lado do animal quanto do lado do contranatural. Em segundo lugar, a partir das contribuições de Paul B. Preciado, Monique Wittig, Vir Cano e Martina Davidson, argumenta-se que o lesbianismo não é um humanismo, mas um animalismo insurgente que desarticula a binariedade de gênero e desestabiliza a própria categoria de humanidade. Por fim, propõe-se a noção de “devir tortillero do veganismo”, recuperando as experiências poético-políticas dos ativismos dissidentes e tortilleros que não apenas rejeitam a categoria de humano, como também reivindicam a animalidade como potência política e forma de resistência frente ao sistema especista e heterocispatriarcal.
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