Vivências de segurança alimentar e nutricional de mulheres trans

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29327/2410051.8.23-60


Palavras-chave:

Gênero, Pessoas transgênero, Segurança alimentar e nutricional, Sexualidade

Resumo

O trabalho tratou de uma pesquisa de mestrado com foco na insegurança alimentar entre a população trans e não binária. A sexualidade, parte essencial da experiência humana, é influenciada por fatores sociais, culturais e políticos. Estudos indicam que a população trans e não binária, ainda invisibilizada, enfrenta desafios específicos que contribuem para altos níveis de insegurança alimentar. Além disso, a população LGBTI+ em geral apresenta altas taxas de doenças mentais e abuso de substâncias, devido à discriminação e à falta de acesso a cuidados de saúde adequados. O objetivo do estudo foi compreender as vivências de pessoas trans em relação à insegurança alimentar. Para isso, foi realizada uma pesquisa de corte transversal com abordagem qualitativa, utilizando a técnica de histórias de vida e análise de conteúdo de Queiroz (1987). A amostra foi composta por 8 mulheres trans residentes no Distrito Federal, atendidas no Centro de Referência Especializado de Assistência Social da Diversidade (CREASD). Os resultados foram organizados em três temáticas: "O Ato de Cozinhar e Comensalidade", "Insegurança Alimentar e suas Dificuldades", "Desafios e Soluções das Mulheres Trans" e “Afetividade Com A Comida”. A análise das narrativas revelou que a alimentação vai além da necessidade biológica, refletindo aspectos tradicionais e memórias afetivas. Por fim, a insegurança alimentar, frequentemente associada à falta de suporte familiar e à discriminação, destacou a urgência de políticas públicas mais inclusivas, que considerem as especificidades da população trans para enfrentar efetivamente a insegurança alimentar.

Biografia do Autor

  • Lewestter Melchior de Lima, Universidade de Brasília – UnB

    Nutricionista formado pela Universidade de Brasília, Mestrando pelo Programa de Pós Graduação em Nutrição Humana pela UnB, MBA/ Especialização em Gestão de UAN- Laboro, Especialização em Educação Popular em Saúde na Promoção em Territórios Saudáveis e Sustentáveis - Escola de Governo Fiocruz (EGF). Atua na área Segurança Alimentar e Nutricional, Educação Alimentar e Nutricional; Docência (graduação e nível técnico); Sexualidade e relações de gênero.

  • Elisabetta Recine, Universidade de Brasília – UnB

    Graduação em Nutrição pela Universidade de São Paulo (1982), mestrado em Ciências (Fisiologia Humana) (1988) e doutorado em Saúde Pública (1999), ambos pela Universidade de São Paulo. Docente e integrante do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de Brasília. Linhas de pesquisa e atuação: políticas públicas de alimentação e nutrição, segurança alimentar e nutricional, direito humano à alimentação adequada, sistemas e ambientes alimentares e formação profissional. Integrante do Comitê Diretivo do Painel de Alto Nível de Especialistas do Comitê de Segurança Alimentar Mundial da ONU (HLPE/CFS). Integrante do Painel Internacional de Especialistas em Sistemas Alimentares Sustentáveis (IPES/Food). Grupo Gestor Nacional da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável. Grupo Coordenador do Grupo Temático de Alimentação e Nutrição da Abrasco

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Publicado

12-03-2026

Como Citar

Vivências de segurança alimentar e nutricional de mulheres trans. (2026). Revista Brasileira De Estudos Da Homocultura, 8(23). https://doi.org/10.29327/2410051.8.23-60