Apresentação: Dossiê Teorias Sapatonas/Teorías Tortilleras

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29327/2410051.8.23-48


Palavras-chave:

teorias sapatonas, teorías tortilleras

Resumo

Ao falar de teorias sapatonas/tortilleras, estamos falando de teorias lésbicas? De feminismo? De feminismo lésbico? Ou, acaso, de um feminismo desviado e de um lesbianismo cuir? Como e onde se encontram (ou se desencontram) a teoria, o lésbico e os feminismos? E a academia, os ativismos e a produção de saberes dissidentes? É possível construir, fantasiar e disputar uma maneira sapatona/tortillera de fazer teoria? Em maio de 2024, na cidade de Córdoba, sob o abrigo que nos ofereceu a universidade pública por meio da Faculdade de Filosofia e História da Universidade Nacional de Córdoba, realizaram-se as “Primeras Jornadas de Teorías Tortilleras: Memorias, errancias y vísceras conceptuales”. As jornadas foram espaço e ocasião de conversas atravessadas pelo lésbico: conjecturas, revisões e análises de arquivo, modos de circulação do conhecimento, apostas na f(r)icção conceitual, cruzamentos com os ativismos e tantas outras formas de encarnar a teoria. Foi ali que nos conhecemos, nós que editamos este número especial que, de algum modo, dá continuidade e amplia esse encontro no qual buscamos cartografar e entrelaçar as produções acadêmicas do esquivo e disperso campo das teorias lésbicas. Pensar esse território movediço conjuga dois gestos importantes para nós: por um lado, põe em prática o desejo de mapear uma das linhas atuais da produção científica local e, por outro, se articula à aposta de fazer do “lésbico” não um lugar de reforço identitário, mas uma perspectiva epistemológica crítica capaz de produzir saberes situados no âmbito da(s) academia(s) sudaca(s) e em um diálogo fértil e complexo com os movimentos sociais. Teorias tortilleras, teorias sapatonas, então, como promessa em ato de outras figurações possíveis, como articulação coletiva da prática teórica. Partimos, portanto, de um histórico de autoras que remete aos anos de 1970 e à segunda onda do feminismo.

Biografia do Autor

  • Joana Ziller, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG

    Professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UFMG, fundou e coordena o Grupo de Estudos em Lesbianidades (GEL/UFMG). É membro da Comissão Coordenadora da  Formação Transversal em Gênero e Sexualidade: perspectivas Queer/LGBTI da UFMG. Preside a Comissão Permanente Diversidade de Gênero e Sexualidade da UFMG, tendo participado da elaboração de políticas relacionadas aos direitos humanos. 

  • Dayane do Carmo Barretos, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG

    Professora Permanente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e  do departamento de Comunicação Social da UFMG. Atualmente é subcoordenadora do Grupo de Estudos em Lesbianidades (GEL/UFMG), onde realiza pesquisa sobre registros de casos de violência envolvendo lesbianidades. Seus interesses de pesquisa contemplam reflexões sobre gênero e sexualidade em produções midiáticas e outros registros com potencial comunicativo.

  • Ianina Moretti, Universidad Nacional de Córdoba – UNC

    Ianina Moretti Basso es Profesora en Introducción a la Problemática Filosófica (Esc. de Historia, FFyH, UNC) y en Fundamentos de la Ciencia Política (Facultad de Ciencias Sociales, UNC). Doctora y licenciada en Filosofía por la FFyH – UNC, y posdoctora con beca CONICET.  Coordina el Área de Formación en Género y Sexualidades de la FFyH - UNC. Dirige el proyecto “Materialismos cuir II. Laboratorio feminista en torno al entrelazamiento cuerpo, sexo, afectos” (CIFFyH, UNC). Integra SEGAP (Seminario sobre Género, Afectos, Política). Ha editado el libro Sentirse precarixs. Afectos, emociones y gobierno de los cuerpos (Editorial UNC) y tiene publicaciones sobre filosofías feministas y giro afectivo.

  • Vir Cano, Universidad de Buenos Aires – UBA

    Vir Cano es Licenciadx y Doctorx en filosofía (UBA). Activista lesbianx y trans-feminista.  Se desempeña como Investigadorx Adjuntx de IIEGE-CONICET y como Profesorx de la FFyL-UBA y la UNLA. Ha publicado los libros Ética tortillera (Madreselva, 2015), Nietzsche (Galerna, 2015), Dar (el) duelo (Galerna, 2021) y Borrador para un abecedario del desacato (Madreselva, 2021), Po/éticas afectivas (Galerna, 2022) y Susi. Pequeña oda al contacto (Galerna, 2024). Ha editado la compilación colectiva Nadie viene sin un mundo (Madreselva, 2018), y es co-autorx junto a Judith Butler y Laura Fernández Cordero de Vidas en lucha. Conversaciones (Katz, 2019).

Referências

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Publicado

12-03-2026

Edição

Seção

Dossiê Temático: Teorias Sapatonas

Como Citar

Apresentação: Dossiê Teorias Sapatonas/Teorías Tortilleras. (2026). Revista Brasileira De Estudos Da Homocultura, 8(23). https://doi.org/10.29327/2410051.8.23-48