PERSPECTIVAS DE PAIS, CUIDADORES E PROFESSORES SOBRE A ATIVIDADE FÍSICA E O COMPORTAMENTO SEDENTÁRIO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES DURANTE A PANDEMIA DE COVID-19
UMA REVISÃO COM META-SÍNTESE
DOI:
https://doi.org/10.51283/rc.30.e19683Palavras-chave:
Comportamento de Movimento, Tempo de Tela, Distanciamento Social, Pesquisa QualitativaResumo
A pandemia de COVID-19 impôs restrições significativas que impactaram a rotina e os comportamentos de movimento de crianças e adolescentes. O objetivo deste estudo foi realizar uma revisão bibliográfica de estudos qualitativos para identificar e analisar as mudanças na atividade física e no comportamento sedentário de crianças e adolescentes durante e após a pandemia de COVID-19, a partir da perspectiva de pais, cuidadores e professores. Trata-se de uma revisão bibliográfica com abordagem analítica de meta-síntese de estudos qualitativos. Estudos publicados a partir de 2020, conduzidos com crianças e/ou adolescentes (3 a 18 anos) e que coletaram informações qualitativas de pais, cuidadores e/ou professores sobre AF/comportamento sedentário no contexto da pandemia foram considerados elegíveis. A busca foi realizada nas bases de dados eletrônicas PubMed, LILACS e Scopus. Os discursos foram extraídos e submetidos à análise temática e síntese, utilizando processamento de linguagem natural para agrupamento e ranqueamento. Oito estudos foram incluídos na presente revisão. Os resultados apontam para três temas emergentes: I) o impacto das restrições da pandemia na AF (evidenciado pela redução de oportunidades e aumento do tempo de tela); II) as estratégias de adaptação e enfrentamento (incluindo uso de recursos online e atividades ao ar livre); e III) os desafios e necessidade de suporte (como dificuldades em estruturar AF em casa e controle do tempo de tela). Em conclusão, segundo a percepção de pais, cuidadores e/ou professores, a pandemia esteve associada à redução da atividade física e ao aumento do comportamento sedentário. As famílias enfrentaram desafios significativos para manter seus filhos ativos em casa e, embora buscassem estratégias, sentiram-se despreparadas, evidenciando a ausência da estrutura escolar e a necessidade de maior suporte. Diante disso, destaca-se a necessidade de fortalecer a Educação Física escolar e desenvolver políticas públicas intersetoriais que envolvam famílias, educadores e gestores na criação de estratégias sustentáveis para a promoção da atividade física em diferentes contextos.
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