CHARGES E TIRAS NO ENSINO DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR
ANÁLISE DE UMA PRÁTICA NO ENSINO MÉDIO INTEGRADO
DOI:
https://doi.org/10.51283/rc.30.e21033Palavras-chave:
Educação Física Escolar, Histórias em Quadrinhos, Charges, Leitura Crítica, Justiça SocialResumo
Este artigo tem como objetivo analisar a utilização de charges e tiras nas aulas de Educação Física Escolar, no contexto do Ensino Médio Integrado (EMI) do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) Campus Congonhas. A proposta fundamenta-se em referenciais teóricos sobre histórias em quadrinhos (Eisner, 1989; McCloud, 1995; Ramos, 2021; Barbieri, 2017) e em perspectivas críticas da educação física (Carvalho, 1995; 2001; Betti, 2021; Almeida Junior, 2024), discutindo a potencialidade desses gêneros narrativos para ampliar práticas de leitura crítica e promover reflexões sobre saúde, qualidade de vida e justiça social. A experiência pedagógica foi desenvolvida ao longo de sete encontros, envolvendo debates, seminários e produções gráficas, culminando na elaboração e exposição de charges e tiras criadas pelos estudantes. A metodologia caracteriza-se como uma pesquisa-ação, do tipo pesquisa-ensino, de cunho qualitativo e fundamentada na análise de uma intervenção pedagógica desenvolvida no contexto do Ensino Médio Integrado (EMI). As produções estudantis foram organizadas em categorias temáticas que problematizaram padrões de beleza, suplementação alimentar, transtornos de imagem corporal, injustiças sociais e sedentarismo, evidenciando a capacidade dos jovens de traduzir questões complexas em narrativas visuais acessíveis e críticas. Os resultados indicam que o uso de charges e tiras favorece o engajamento dos estudantes, amplia a compreensão da saúde como direito social e fortalece a Educação Física como linguagem cultural e política. Além disso, a prática contribuiu para consolidar a disciplina como espaço de formação integral, capaz de mobilizar dimensões estéticas, sociais e democráticas. Conclui-se que a integração de recursos gráficos ao currículo escolar potencializa a reflexão crítica, estimula a autonomia e promove práticas educativas alinhadas às demandas contemporâneas da juventude.
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