REFLEXÕES, DISCURSOS, DIÁLOGOS E CONTROVÉRSIAS SOBRE A DISCIPLINA FÍSICA NO CURSO DE LICENCIATURA EM MATEMÁTICA
DOI:
https://doi.org/10.26571/reamec.v13.20228Palavras-chave:
ensino medio, física, formação de p´rofessores, matemáticaResumo
Neste estudo, repercutimos perspectivas de graduandos da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) acerca da disciplina Física no curso de Licenciatura em Matemática. O objetivo consiste em identificar reflexões, discursos, diálogos e controvérsias sobre baixo rendimento, retenção, pendências, atrasos e abandonos na trajetória desses cursistas diante dos componentes Física I e Física II. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, do tipo participante, cujo corpus de análise foi constituído por um fichamento seguido de revisão da literatura; entrevistas guiadas por roteiro semiestruturado; roda de conversa, com discussões e reflexões gravadas; além de anotações em diários de bordo, as quais geraram dados posteriormente tratados pela técnica de Análise de Conteúdo (AC). Nesse contexto, verificamos experiências de ensino de Física com baixa aprendizagem desde a Educação Básica, repercussões que se estendem à graduação, em razão de práticas docentes e educativas que, muitas vezes, substituem a linguagem física pela linguagem matemática, dissociando-a da teoria, da prática, dos experimentos e dos fenômenos físicos cotidianos, o que se reflete em estudantes expressamente desinteressados em compreender a Física.
Downloads
Referências
ALMEIDA, J. M. de. As dificuldades de aprendizagem e o distanciamento dos alunos do ensino médio em relação à disciplina de física: um estudo de caso. Monografia (Licenciatura em Física). Universidade Federal de Campina Grande. Cuité, PB, 2018.
ROCHA, L. C. T.; ANTONOWISKI, R.; ALENCAR, M. V. Dificuldades encontradas para aprender e ensinar física moderna. Scientific Electronic Archives, v.10, n.4, p. 50–57, 2017.
ARAÚJO, R. S.; VIANNA, D. M. Baixos salários e a carência de professores de física no Brasil. Anais do XI Encontro de Pesquisa em Ensino de Física – SBF, Curitiba, 2008.
ARRUDA, S. M.; UENO, M. H. Sobre o ingresso, desistência e permanência no curso de física da Universidade Estadual de Londrina: algumas reflexões. Revista Ciência e Educação, Bauru, v.9, n.2, p. 159–175, 2003. Disponível em: https://www.fc.unesp.br/pos/revista/. Acesso em: 05 jan. 2024.
ATAÍDE, J. S. P.; LIMA, L. M.; ALVES, E. O. A repetência e o abandono escolar no curso de licenciatura em física: um estudo de caso. Physicae, ano 6, n. 6, 2006. Disponível em: http://www.ifi.unicamp.br/physicae/ojs2.1.1/index.php/physicae/article/download/physicae.6.5/82. Acesso em: 10 jan. 2024.
BARBIER, R. A escuta sensível na abordagem transversal. In: BARBOSA, J. (Coord.). Multirreferencialidade nas Ciências e na Educação. São Carlos: Editora da UFSCar, 1998. p. 168–199.
BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo, SP: Edições 70, 2016.
BARROSO, M. F.; RUBINI, G.; SILVA, T. Dificuldades na aprendizagem de Física sob a ótica dos resultados do Enem. Revista Brasileira de Ensino de Física [online], v.40, n.4, e4402. Epub 18 jun. 2018. ISSN 1806-1117. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbef/a/WgC3RNzBBDTDvdk. Acesso em: 14 abr. 2024.
BATISTA, I. L. O ensino de teorias físicas mediante uma estrutura histórico-filosófica. Ciência & Educação, Bauru, v. 10, n. 3, p. 461–476, 2004. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ciedu/v10n3/10.pdf. Acesso em: 17 jan. 2024.
BATISTA, I. L. Reconstruções histórico-filosóficas e a pesquisa em Educação Científica e Matemática. In: NARDI, R. (Org.). A pesquisa em Ensino de Ciências no Brasil: alguns recortes. São Paulo: Escrituras, 2007. p. 257–272.
BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Parecer CNE/CP 22, de 07 nov. 2019. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial de Professores para a Educação Básica e Base Nacional Comum para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica. Diário Oficial da União: Seção 1, Brasília, DF, p. 142, 20 dez. 2019.
BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Conselho Pleno. Resolução nº 02/CP/CNE/2015. Define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial em nível superior (cursos de licenciatura, cursos de formação pedagógica para graduados e cursos de segunda licenciatura) e para a formação continuada. Brasília: CP/CNE/MEC, 2015b.
CIMA, R. C.; FILHO, J. B. R.; FERRARO, J. L.; LAHM, R. A. Redução do interesse pela Física na transição do ensino fundamental para o ensino médio: a perspectiva da supervisão escolar sobre o desempenho dos professores. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias, v.16, n.2, p. 385–409, 2017. Disponível em: https://hdl.handle.net/10923/11802. Acesso em: 25 abr. 2024.
CRUZ, S. P. S.; RAMOS, N. B.; SILVA, K. A. C. P. C. Concepções de polivalência e professor polivalente: uma análise histórico‐legal. Rev. HISTEDBR Online, Campinas, v.17, n.4, p. 1186–1204, 2017. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8645863. Acesso em: 10 jan. 2024.
REIS, J. C.; SANTANA, I. L.; LEMOS, L. A. S. A relação entre Física e Matemática: uma abordagem teórico-metodológica. Revista Binacional Brasil-Argentina: Diálogo entre as Ciências, v.11, n.2, p. 112–135, 2022. DOI: 10.22481/rbba.v11i02.10903. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/index.php/rbba/article/view/10903. Acesso em: 25 abr. 2024.
FARIAS, M. L. S. O. Afeto: nos fios dos bastidores da sala de aula. UEBA, GT-20: Psicologia da Educação. Agência Financiadora: PROFORTE, 2008. Disponível em: http://31reuniao.anped.org.br/1trabalho/GT20-4974--Int.pdf. Acesso em: 17 fev. 2024.
FERRAZ, D. S.; KALHIL, J. D. B. Ensino da matemática e a importância da utilização do STEAM. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v. 8, n. 6, p. 46245–46262, jun. 2022. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/49359/pdf. Acesso em: 16 jan. 2024.
FERREIRA, M. F.; COSTA, J. J. L.; ARAÚJO, M. S. T.; OLIVEIRA, L. N. Investigação sobre fatores de sucesso e insucesso na disciplina de física no ensino médio técnico integrado na percepção de alunos e professores do Instituto Federal de Goiás – Campus Inhumas. Holos, ano 29, v.5, 2013. Disponível em: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=481548607028. Acesso em: 25 abr. 2024.
FIORENTINI, D.; CRECCI, V. M. Práticas de desenvolvimento profissional sob a perspectiva dos professores. Diversa Prática, v.1, n.1, 2012.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
LEITE, E. A. P.; RIBEIRO, E. S.; LEITE, K. G.; ULIANA, M. R. Alguns desafios e demandas da formação inicial de professores na contemporaneidade. Educação & Sociedade, v.39, n.144, p. 721–737, 2018.
MENDES, G. H. G. I.; BATISTA, I. L. Matematização e ensino de Física: uma discussão de noções docentes. Ciência & Educação, Bauru, v. 22, n. 3, p. 757–771, 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ciedu/a/BNXzxmt3dq6ZdX3sdzzmHRD. Acesso em: 23 jan. 2024.
METZNERI, A. C.; DRIGO, A. J. Avanços e retrocessos das DCN para formação de professores: comparação entre a resolução de 2015 e os documentos anteriores. Revista e-Curriculum, São Paulo, v. 19, n. 3, p. 988–1013, jul./set. 2021.
MOREIRA, M. A. Desafios no ensino da física. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 43, supl. 1, e20200451, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbef/a/xpwKp5WfMJsfCRNFCxFhqLy. Acesso em: 30 mar. 2024.
NASCIMENTO, M. M. O professor de Física na escola pública estadual brasileira: desigualdades reveladas pelo Censo Escolar de 2018. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 42, e20200187, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1806-9126-RBEF-2020-0187. Acesso em: 14 jan. 2024.
OLIVEIRA, P. R.; BADIA, D. D.; FORTUNATO, I. Pensar, falar e escutar: a aula entre a filosofia e a educação. EccoS – Revista Científica, São Paulo, n. 41, p. 147–156, set./dez. 2016.
PACCA, J. L. A.; VILLANI, A. A formação continuada do professor de Física. Estudos Avançados, São Paulo, v. 32, n. 94, p. 57–71, 2018. Disponível em: https://revistas.usp.br/eav/article/view/152656. Acesso em: 24 abr. 2024.
PARANÁ (Estado). Secretaria de Estado da Educação. Diretrizes curriculares da educação básica: educação física. Curitiba: SEED-PR, 2008.
PASTORINI, R. C. Investigando as atitudes dos docentes do ensino básico que vêm influenciando negativamente a imagem da disciplina de física. Dissertação (Mestrado em Educação em Ciências e Matemática) – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2013.
PEREIRA, A. A. C.; SILVA, E. M. A.; REIS, S. M. A importância da escuta na trajetória de vida/formação docente. VI Colóquio Internacional: Educação e Contemporaneidade. Eixo Temático 4: Formação de professores, memória e narrativas. São Cristóvão-SE, 20–22 set. 2012.
PIETROCOLA, M. A matemática como estruturante do conhecimento físico. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v. 19, n. 1, p. 93–114, 2002. Disponível em: https://repositorio.usp.br/item/001262297. Acesso em: 24 mar. 2024.
PIETROCOLA, M.; KARAM, R. A. S. Habilidades técnicas versus habilidades estruturantes: resolução de problemas e o papel da matemática como estruturante do pensamento físico. Alexandria: Revista de Educação em Ciência e Tecnologia, v. 2, n. 2, p. 181–205, jul. 2009. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/alexandria/article/view/37960. Acesso em: 24 mar. 2024.
POINCARÉ, H. O valor da ciência. Tradução: H. F. Martins. Rio de Janeiro: Contraponto, 1995.
REZENDE, F.; LOPES, A. M. A.; EGG, J. M. Identificação de problemas do currículo, do ensino e da aprendizagem de Física e de Matemática a partir do discurso de professores. Ciência & Educação, v.10, n. 2, p. 185–196, 2004.
RIBEIRO, F. M.; PAZ, M. G. O ensino da matemática por meio de novas tecnologias. Revista Modelos – FACOS/CNEC Osório, ano 2, v.2, n.2, ago. 2012.
RIBEIRO, S.; MOREIRA, M. As dificuldades de inserir história e filosofia da ciência na educação básica: percepções a partir do Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Ciências. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENSINO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE E DO AMBIENTE, 5., 2018, Niterói. Anais [...]. Niterói: Campus da Praia Vermelha/UFF, 2018. p. 1–10.
RINALDI, C. Diálogos com Reggio Emilia: escutar, investigar e aprender. 2ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2014.
SANTOS, C. A. B.; CURI, E. A formação dos professores que ensinam física no ensino médio. Ciência & Educação, Bauru, v.18, n.4, p. 837–849, dez. 2012. Disponível em: http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-73132012000400007&lng=es&nrm=iso. Acesso em: 29 dez. 2023.
SANTOS, G. M. O. Um olhar sobre a política de formação de professores de física no Brasil. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências e Matemática) – Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, SE, 2018.
SANTOS, V. M. O desafio de tornar-se professor de matemática. Nuances: Estudos sobre Educação, ano 8, n.8, p. 83–91, set. 2002. Disponível em: file:///C:/Users/User/Downloads/200-Texto%20do%20Artigo-515-699-10-20110727.pdf. Acesso em: 30 jan. 2024.
SHULMAN, L. S. Knowledge and teaching: foundations of the new reform. Harvard Educational Review, Cambridge, v. 57, p. 1–22, 1987.
TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes, 2002.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Como Citar
Share
Licença
Copyright (c) 2025 Diogo Pereira de Freitas, Josefina Barrera Kalhil, Francisco Leugenio Gomes

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Política de Direitos autorais
Os autores mantêm os direitos autorais de seus trabalhos publicados na Revista REAMEC, atendendo às exigências da Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, que altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências, enquanto a revista utiliza um modelo de licenciamento que favorece a disseminação do trabalho, particularmente adotando a Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International (CC BY-NC 4.0).
Os direitos autorais são mantidos pelos autores, os quais concedem à Revista REAMEC os direitos exclusivos de primeira publicação. Os autores não serão remunerados pela publicação de trabalhos neste periódico. Os autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não exclusiva da versão do trabalho publicado neste periódico (ex.: publicar em repositório institucional, em website pessoal, publicar uma tradução, ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial neste periódico. Os editores da Revista têm o direito de realizar ajustes textuais e de adequação às normas da publicação.
Política de Acesso Aberto/Livre
Os manuscritos publicados na Revista REAMEC são acessíveis gratuitamente sob o modelo de Acesso Aberto, sem cobrança de taxas de submissão ou processamento de artigos dos autores (Article Processing Charges – APCs). A Revista utiliza Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International (CC BY-NC 4.0) para assegurar ampla disseminação e reutilização do conteúdo.
Política de licenciamento - licença de uso
A Revista REAMEC utiliza a Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International (CC BY-NC 4.0). Esta licença permite compartilhar, copiar, redistribuir o manuscrito em qualquer meio ou formato. Além disso, permite adaptar, remixar, transformar e construir sobre o material, desde que seja atribuído o devido crédito de autoria e publicação inicial neste periódico.















































































